sábado, 11 de abril de 2015

CAPÍTULO 2.

FEVEREIRO DE 2014.

- Fico feliz por isso, as crianças merecem. - Falei enquanto Ângela me olhava com uma cara de espanto. 

- Você não vai ir lá ver ele? - Ela disse - Porque, se eu pudesse já teria saído daqui há tempos pra ir lá vê-lo outra vez. É o LUAN SANTANA, isso só acontece uma vez na vida, mulher. - Ela falava dando ênfase no nome e como se fosse uma obrigação eu parar qualquer coisa pra ir vê-lo. 

- Não, na hora do almoço vou ir ver AS CRIANÇAS, agora preciso trabalhar. - Disse dando ênfase nas "crianças" e saindo da recepção em direção ao laboratório onde eu trabalhava.

Não que eu não quisesse vê-lo, mas acho que não tinha necessidade de usar as crianças como pretexto apenas pra chegar até ele. E também, ele já deve estar rodeado de pessoas o bajulando, não faria o mesmo - pensei. No caminho para minha sala passei por alguns corredores, inclusive o corredor onde as crianças ficavam que era o mais bonito. Era cheio de cores, as salas eram temáticas, cada uma de acordo com um desenho animado ou uma cor predileta da criança. Tinham ursinhos de pelúcia e cartazes pintados espalhados pelas paredes do corredor. E passando por ele, uma cena me chamou a atenção. Uma criança estava de pé, vestindo uma camisolinha branca, era Carol. Ela tinha por volta de seus oito a nove anos e sofreu uma grave queimadura quando criança, perdeu parte de seus cabelos e teve alguns danos na pele que mesmo com cirurgias ainda deixavam cicatrizes. Ela se tratava desde os quatro anos no hospital. E em sua frente um homem abaixado a olhava segurando em sua mão. Estava conversando com ela. Fiquei parada alguns segundos olhando aquela cena, até a hora em que o homem que até então nunca tinha visto por lá, me pegou olhando os dois. Foi quando eu não tive mais dúvidas, era ele. O tão famoso Luan Santana. Ele olhou pra mim, nossos olhares se cruzaram e num sorriso, me cumprimentou. Não me senti intimidada, pelo contrário, continuei a olhar. Ele parecia ter comentado algo com Carol que olhou pra trás. Pude ver os olhinhos dela brilharem, quando ela disse:

- Tia, vem cá ver o meu amigo. - Era assim que ela e todas as crianças do local se referiam a mim: Tia. 

Eu não conseguia sair do lugar, meus pés pareciam não me obedecer. Não, eu definitivamente não estava pronta para ter um contato cara a cara com o príncipe do sertanejo. Num gesto rápido, ele se levantou e segurou a mão de Carol. Os dois seguiam em minha direção, e eu só sentia meu ar faltar cada vez mais. UAU. Ele é realmente lindo, Ângela tinha razão. Ele estava com uma calça preta, colada. Uma blusa azul escuro de manga cumprida que realçava levemente seus braços fortes. UAU, novamente. Usava um colar, algumas pulseiras e seu famoso coturno. Definitivamente: lindo. Perdida em meus pensamentos, só notei que Carol pegou em minha mão, me puxou e disse:

- Tia Clara? - Olhei pra ela que me olhava com uma carinha linda, seus olhos brilhavam.

- Oi minha princesa, cadê o meu beijo? - Disse abaixando enquanto ela me abraçou pelo pescoço e me deu um beijo no rosto. 

- Tia, esse é meu amigo. Ele canta. - Num gesto o olhei. Meu Deus. Levantei rapidamente, foi quando ele sorriu pra mim. Ó M-E-U D-E-U-S. De onde ele veio? 

- Oi, Clara né? - Ele disse com um sorriso que ainda habitava em seus lábios. NOSSA. 

- É... Isso, Clara. Luan né? - Ele riu e eu também. É claro que eu sabia que ele era o Luan. E que Luan. Será que eu estou com cara de idiota? Com certeza. Ah, ele deve estar notando. Ele esta sorrindo muito pra mim. Preciso dizer algo. - O que faz aqui? - Disse com um sorriso leve. Foi a primeira coisa que me veio a cabeça. 

- Eu vim ver as crianças. Soube que esse hospital trata de diversos casos de crianças. - Ele sorriu meio sem jeito. - Você é médica?

- Ah, não. Eu sou estou me formando em biomedicina, ainda estou estagiando aqui no hospital. Eu adoro essas crianças. - Ok, foi uma boa resposta, agora respire. 

- A tia sempre vem ver a gente. - Carol disse olhando pra ele. - Tia - Ela me puxou eufórica. - O tio Luan disse que vai vir sempre me ver, sabia? - Ahhh, eu não podia ter tido uma notícia melhor. Eu veria sempre aquela maravilha em forma de homem? 

- Sério? Que otimo princesa. - Será que ele percebeu que eu estava tão eufórica quanto Carol? Oh Deus, tomara que não. - Eu preciso voltar ao serviço agora. Foi um prazer te conhecer Luan, volte sempre aqui. Carol ficará muito contente. - E eu também, sem dúvida. 

- Eu vou voltar sim. - Ele sorriu, passou de leve a mão sobre sua nuca. Acho que vou desmaiar. Eu ficaria ali por horas, ouvindo seu sotaque maravilhoso. 

- Você ficará bem, pequena? - Olhei pra Carol que assentiu com a cabeça. - Então eu quero mais um beijo. Eu abaixei e ela me deu um beijo. Me levantei. - Tchau Luan. - Sorri pra ele me virando de costas e acenando levemente. 

- Tchau linda. - Ele me chamou de linda? Ai meu Deus. Lindo é você. Lindo não, perfeito. Meu subconsciente me disse e eu ri, já de costas para os dois. Graças a Deus, com certeza ele perceberia meu sorriso involuntário.

Cheguei no laboratório ainda sorrindo. Lá ja se encontravam Rodrigo, Felipe e Ana. 

- Bom dia, pessoal. - Eu disse a eles sorrindo que me olharam com cara de espanto.

- Viu o passarinho verde? - Ana disse e eu nem tinha dado muita importância ao que ela falou. - Ei?

- Ah, não. - Eu ri. - Por que?

- Essa cara de boba alegre se deve a que? - Rodrigo disse me zoando, ele namorava Ana. - Arranjou finalmente um namorado? - É, eles brincavam bastante comigo por conta de eu já ter 22 anos e nunca ter namorado. 

- Ei, vamos parar com essa conversa? - Felipe se pronunciou. - Clarinha, não arranjou nenhum namorado, né? - Me olhou como se esperasse uma resposta.

- Não gente! Vamos trabalhar. - Enfim encerramos aquela conversa. As horas passavam. Dentro do laboratório não consegui esquecer uma só vez aqueles olhos castanhos escuros, quase pretos que invadiam meu pensamento. 

As horas passavam rápido. Eu entrava no hospital por volta das 13h30 e saía ás 18h30. Nós tínhamos uma pausa para o lanche que era por volta das 16h. Quando saímos do laboratório meus olhos procuraram imediatamente aqueles que já estavam tão conhecidos pela minha mente, que não parou, um minuto se quer de lembrar do quão perfeito eles eram. Mas não encontrei. Óbvio que você não encontraria, né Clara? Por que ele passaria tanto tempo assim aqui? Meu subconsciente rosnou pra mim, mais uma vez. 
Tomamos um café, conversamos e demos boas risadas, como era de costume. Voltamos pro laboratório e trabalhamos até que desse o horário. Saímos todos juntos em direção a garagem onde meu carro estava. Ana e Rodrigo foram até o mesmo carro que ficava na outra direção. Eu e Felipe caminhamos juntos até o meu carro. Quando chegamos até ele:

- Bom, então eu já vou Fê. - Quando ía abrir a porta do carro, Felipe segurou minha mão na porta e a tirou levemente. Num gesto rápido ele abriu a porta do carro pra mim, eu entrei. Ele era sempre tão cavalheiro. Ele fechou a porta e assim, eu abri o vidro. Ele depositou um beijo no meu rosto e disse:

- Se cuida, meu anjo. Tome cuidado por aí no transito. Até amanha? - Ele me perguntou e eu só assenti sorrindo. Saí com o carro e olhando pelo retrovisor pude ver ele parado me olhando. 

Cheguei em casa e aparentemente estava vazia.

- Mãe? - Eu disse tirando os sapatos e colocando a bolsa no sofá.

- Oi filha, estou aqui no quarto. - Ela disse com uma voz abafada, a porta estava fechada. 

Sentei no sofá e minha bolotinha correu pra mim. Lily. A segurei no meu colo, passando a mão sobre seus pêlos macios que se aconchegou em mim. Deitei a cabeça no encosto do sofá e me permiti pensar. O que foi que aconteceu hoje? Nossa, que olhar devastador. Perdida nesses pensamentos, sinto meu celular vibrar. Quando olhei era uma mensagem de Cris.

E ai? Tudo certo pra sábado? - Cris.

Sábado era o dia do festival sertanejo. Hoje ainda era terça feira. Que apressada, eu pensei e ri sozinha. 

Tudo sim amiga, vai vir mais cedo pra nos arrumarmos juntas? - Clara.

É claro que sim, né? Inclusive estou pensando em pegar uma roupa emprestada, sabe? :x - Cris.

Eu ri, era muito folgada mesmo. Mas eu não me importava em emprestar roupas pras minhas amigas. 

kkkkk Boba, sabe que pode pegar o que quiser. Falando em sertanejo, hoje o Luan Santana estava lá no hospital. - Clara.

Jura? Menina de Deus, você deu um beijo nele por mim? O que ele foi fazer la? - Cris.

Juro. Não dei beijo nele, kkk boba. Foi ver as crianças. - Clara.

Então acho que vocês terão um próximo encontro, porque sábado ele com certeza estará no festival. - Cris.

Ai meu Deus, não tinha pensado nisso. É claro que ele estaria lá. Eu não poderia ir. Só de imaginar aqueles olhos novamente, eu me perderia. Ou talvez, ele nem me visse. Teria muitas pessoas, muitos cantores. Ele jamais me veria. Isso pensaremos assim. E na hora que ele começar a cantar, eu não preciso olhar diretamente pra ele. Evitarei ao máximo. Resolvi não responder Cris. Agora estava pensando no festival. Calma Clara, é só ficar longe, evitar. Ele nem vai te ver. 



PRONTINHO AMORES, SEGUNDO CAPÍTULO POSTADO. E AÍ? O QUE VOCÊS ESTÃO ACHANDO? EU VI QUE HÁ ALGUMAS VISUALIZAÇÕES E EU AGRADEÇO MUITO, VIU? SÓ ESPERO QUE VOCÊS COMENTEM. NÃO VOU EXIGIR NENHUM COMENTÁRIO PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO COMO SEI QUE É COMUM NAS OUTRAS FICS. MAS EU ESPERO VER COMENTÁRIOS POR LIVRE E ESPONTANEA VONTADE. SERIA BOM SABER O QUE VOCÊS PENSAM. EU POSSO POSTAR MAIS UM HOJE, SÓ DEPENDE DA REAÇÃO DE VOCÊS :D BEIJOOOOS, CLARA ♥

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